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GASTRITES e EROSÕES DO ESTÔMAGO

Dr. Carlos Carvalheira



Gastrite crónica:

Gastrite crónica pelo Helicobacter pylori : sabemos desde 1983 que a causa mais frequente de gastrite crónica é uma bactéria: o Helicobacter pylori. A gastrite crónica causada pelo Helicobacter pylori ( também designada por gastrite B ), localizada sobretudo no antro do estômago, é uma das infecções mais frequentes no mundo, atingindo mais de 50 % da humanidade e mais de 90% dos adultos de alguns continentes e países ( África, América do sul, Portugal etc.).

Em Portugal cerca de 50% das crianças com 8 anos de idade já têm gastrite causada pelo Helicobacter pylori. O aspecto endoscópico do estômago com gastrite crónica é normal ou ligeiramente alterado. O diagnóstico da gastrite crónica faz-se, observando um fragmento de estômago ao microscópio.

A existência do Helicobacter pylori na mucosa do estômago pode ser comprovada por vários testes de fácil execução. Mas fazer um teste para comprovar a existência duma bactéria que em Portugal quase todos temos e, raramente justifica tratamento, é uma inutilidade.

A gastrite crónica pelo H. Pylori que, quase todos os portugueses adultos têm, raramente causa sintomas e, não se defende como norma o seu tratamento, que seria a erradicação do Helicobacter pylori. ( A erradicação do Helicobacter pylori deve fazer-se nas pessoas que têm úlcera do estômago ou do duodeno ou linfoma MALT ).

A gastrite crónica causada pelo H. pylori, em determinadas condições, relacionadas com a virulência de certas estirpes do Helicobacter pylori, e com certos genes do hospedeiro, transforma-se em gastrite atrófica e metaplasia intestinal (na metaplasia intestinal a mucosa do estômago é substituída por mucosa intestinal ) que nalguns raros casos, e em circunstâncias especiais, evolui para cancro do estômago.

Esta evolução da gastrite crónica até cancro do estômago é ainda mal conhecida e não temos, por enquanto, maneira de a evitar. Cientistas em todo o mundo e duma maneira especial cientistas portugueses ( Leonor David, Celso Reis ) do IPATIMUP do Porto ( Sobrinho Simões ) têm feito grandes progressos na identificação das estirpes mais virulentas do H. pylori e dos portugueses portadores dos genes que codificam as mucinas gástricas ( as mucinas são um gel - semelhante à saliva - que cobre as nossas mucosa ) que facilitam o aparecimento do cancro do estômago.

Estas descobertas acabarão por permitir, num futuro, que desejemos próximo, o rastreio dos indivíduos com estes factores de risco e assim contribuir para a diminuição da mortalidade relacionada com o cancro do estômago.

Em conclusão: quase todos os portugueses adultos e, mais de 50% da população mundial têm gastrite crónica causada pelo H. pylori mas, mas a maior parte (>80%) destas pessoas não têm queixas atribuíveis ao estômago e, os que têm queixas, se o Helicobacter pylori for erradicado continuam na maior parte dos casos com elas. A Gastrite raramente causa sintomas. As pessoas com sintomas relacionados com o estômago a quem foi dito que têm " gastrite ", na maior parte dos casos, têm Dispepsia Funcional.

Outras gastrites infecciosas: para além da gastrite pelo Helicobacter pylori e da gastrite  granulomatosa da tuberculose e da sífilis, outras bactérias como o streptococcus, a Escherichia coli, o staphilococcus, o Clostridium podem ser, embora muito raramente, causa de gastrites graves, sobretudo em indivíduos debilitados, alcoólicos, com SIDA...

As gastrites por fungos ( candida, histoplasma etc. ) assim como as gastrites por vírus ( cytomegalovírus, herpes vírus etc. ) são situações muito, muito raras. No entanto, nos indivíduos com SIDA é frequente encontrar gastrite pelo citomegalovírus ( CMV ), por cândidas e outros agentes.







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