Nem sempre é fácil diagnosticar uma depressão. E muitas vezes são os familiares e amigos que se apercebem primeiro das alterações de humor. Mas também falta de memória e perturbações na concentração. Neste caso são sinais de uma doença que pode ser curada.

Os factores que estão por detrás de uma depressão são muitos e também os sintomas são múltiplos, entre os de ordem física e os de ordem emocional. A pessoa chora com frequência, com as lágrimas a correr por tudo e por nada. Sente-se, além disso, vazia, inútil e culpada, mas também ansiosa e inquieta, surgindo uma clara dificuldade em tomar decisões.
O cansaço é uma constante, mesmo sem razão aparente. E também sem explicação podem perder-se ou ganhar-se quilos. O sono sofre igualmente perturbações, entre a dificuldade em dormir e uma sonolência constante. A este quadro juntam-se pensamentos negativos, que, no extremo, podem ser dominados pela ideia de morte e conduzir a tentativas de pôr fim à própria vida. O suicídio é, aliás, o risco último de uma depressão não identificada e não tratada.
Mas a memória e a concentração são também afectadas e aqui só o tratamento da depressão resolverá a situação.
Nem todos estes sintomas se concentram numa mesma pessoa, mas quando alguns estão associados e se prolongam por duas semanas ou mais, sem tréguas, considera-se que o quadro é de uma depressão.
Reconhecer o problema
Nem sempre se encontra uma explicação óbvia para estes sentimentos depressivos. Mas, com frequência, eles são desencadeados por momentos muito específicos na vida de uma pessoa. Momentos negativos como o desemprego, o divórcio, a morte de alguém próximo. Mas também momentos positivos como o nascimento de um filho.
Nesta balança de causas e consequências, há outros factores que podem estar na origem de uma depressão: doenças, alcoolismo, dependência de drogas e hereditariedade.
E até as hormonas parecem pesar: só assim se explica que as mulheres sofram de depressão duas vezes mais do que os homens. De tal forma que são elas quem mais atenta contra a própria vida, embora sejam eles os que mais concretizam o suicídio, uma diferença que se explica pelos métodos escolhidos por umas e por outros, os deles mais irreversíveis.
A depressão resulta de um desequilíbrio químico ao nível do cérebro, envolvendo dois dos principais neurotransmissores: a serotonina e a noradrenalina. São eles que regulam o nosso humor e uma deficiente comunicação entre as células acaba por induzir o descontrolo das emoções típico dos estados depressivos.
Independentemente da causa, o importante é que a pessoa reconheça a doença e procure ajuda profissional. É que, se não for tratada o mais precocemente possível, uma depressão pode prolongar-se por muito tempo e até tornar-se recorrente.
O tratamento é fundamental para o regresso a uma vida equilibrada. Faz-se com recurso a medicamentos, os antidepressivos, e a psicoterapia, isolados ou combinados. Envolve igualmente um esforço individual no sentido de alterar o estilo de vida, erradicando os factores que possam fomentar a depressão, o que passa, entre outras medidas, por reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, quando ele existe, e por aprender a gerir o stress.




