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Deformidades da face – Tratamento

Dr. Matos da Fonseca

A Clínica da Face é um centro médico-cirúrgico especializado no aconselhamento, acompanhamento e tratamento de portadores de anomalias de crescimento facial. A sua actividade estende-se a outros tipos de doentes nomeadamente os que apresentam deformidades faciais de outras origens em particular aquelas que derivam de anomalias congénitas ou traumatismos da face.



Tendo em vista uma informação objectiva da população, e em particular dos candidatos a tratamento de deformidades da face, elaborámos este texto que relata as dúvidas que habitualmente os doentes ou seus familiares apresentam e as respectivas respostas baseadas nossa experiência clínica.



O que é uma deformidade maxilofacial?


É uma anomalia da posição do esqueleto ósseo maxilar e/ou mandibular, relativamente ao crânio, que tem como consequência um envolvimento negativo na oclusão dentária e/ou na estética facial.


À anomalia posicional podem associar-se alterações da forma e do tamanho dos maxilares. A existência de uma deficiência no crescimento da face nem sempre implica uma anomalia aparente.


As anomalias mais frequentes são: no sentido antero-posterior, a mandíbula numa posição avançada ou muito recuada em relação ao maxilar. No sentido vertical, a impossibilidade de fazer contactar os dentes anteriores (mordida aberta) ou uma exposição dentária e gengival excessiva (sorriso gengival) ou a existência de mordida profunda - os dentes incisivos colocados mais à frente impedem a visualização dos que estão atrás. No sentido transversal, as assimetrias. À deformidade maxilofacial poderão associar-se outras anomalias sendo as mais frequentes as que afectam o nariz e as orelhas, que serão corrigidas simultaneamente.



Quais são as principais causas destas anomalias?


A maior percentagem de doentes enquadra-se no grande grupo das anomalias de crescimento cuja etiologia dificilmente se esclarece.


Na maioria dos casos as crianças crescem aparentemente sem qualquer problema facial ou dentário até aos 8-9 anos e só a partir daí se começam a notar sinais de desarmonia dentária e/ou facial. São os médicos-dentistas que habitualmente chamam a atenção para a existência de anomalias ou esclarecem os doentes sobre a possibilidade de tratá-las.



Porque vêm os doentes à consulta? Quais são as formas mais habituais de manifestação do problema?


São três as razões que trazem os doentes à consulta: problemas de estética facial - o doente quer melhorar a aparência da face, problemas de estética dentária - o doente não gosta de ver a posição dos dentes anteriores e sintomas ou problemas funcionais - o doente tem dificuldades a mastigar ou a falar, ou tem dores mas articulações têmporo-mandibulares, na região pré auricular, o que pode ser confundido com uma otalgia (dor de ouvidos).



Como se trata uma deformidade maxilofacial (DMF)?


O tratamento correcto de uma DMF envolve dois tipos básicos de procedimentos que se complementam: a utilização de aparelhos ortodônticos fixos em ambas arcadas e cirurgia designada "ortognática". Os objectivos do tratamento são a correcção das anomalias funcionais derivadas da eventual má-oclusão e respiratórias (roncopatia e ou apneia obstrutiva do sono) e, segundo o desejo dos doentes, a melhoria da estética facial.



Como é a sequência de tratamento?


Após a formulação do diagnóstico e do plano de tratamento ortodôntico e cirúrgico o doente inicia o tratamento ortodôntico. Este serve para colocar os dentes numa posição que permita, durante a cirurgia, não só posicionar os dentes numa relação estética e funcional aceitáveis como também dar ao doente uma aparência agradável e um espaço respiratório faríngeo amplo. Os aparelhos estarão presentes nas arcadas durante todo o período activo de tratamento.


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