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Fígado e medicamentos

Prof. Rui Marques dos Santos

O fígado, o maior órgão do corpo humano, tem uma localização central para melhor desempenhar as suas inúmeras funções. Um quarto do sangue total passa pelo fígado em cada minuto; a maior parte tem origem nos intestinos, facilitando assim a função de filtro desempenhada pelo fígado.



Fígado e medicamentos

Os alimentos que comemos ou os líquidos que bebemos são absorvidos no intestino e, ao entrarem na circulação são obrigados a atravessar o fígado antes de poderem alcançar outros órgãos ou circularem no sangue. De igual modo, sucede com todas as substâncias que, à semelhança dos alimentos, forem introduzidas no organismo pela boca, como sucede com os medicamentos, comprimidos ou soluções orais.

Outra das funções hepáticas é a metabolização das substâncias que se encontram em circulação, sejam elas provenientes do exterior ou do interior do organismo.


Esta metabolização tem por finalidade tornar inofensivo, o que pode ser agressivo, ou permitir eliminar do organismo essas substâncias pelas fezes ou pela urina. A este processo de biotransformação chama-se destoxificação. A quase totalidade dos medicamentos sofre uma transformação quando chega ao fígado.


A maioria dos medicamentos é lipossolúvel, dissolve-se em gorduras, mas para ser eliminado pela urina necessita ser hidrossolúvel, possibilidade de se dissolver na água. Este processo de destoxificação divide-se em duas fases. Na primeira, dá-se uma transformação e, na segunda, uma associação a outras substâncias.


 


Relação complexa entre fígado e medicamentos


Podemos agora compreender como a relação entre o fígado e os medicamentos é complexa e se pode analisar considerando vários aspectos: as alterações que o fígado provoca nos medicamentos; o medicamento como tratamento das doenças do fígado; e o medicamento como causa de doenças do fígado.


Os medicamentos metabolizados no fígado podem tornar-se mais ou menos activos consoante os produtos daquela metabolização (metabolitos) têm ou não actividade. Se um medicamento é activo e a sua transformação hepática o torna inactivo, a existência de doença hepática que atrase a transformação do medicamento pode aumentar a actividade do medicamento e para obter o mesmo efeito será preciso menos quantidade.


Pelo contrário, se o medicamento não é activo e apenas o metabolito apresenta actividade, a deficiência hepática pode ser responsável pela falta de eficácia do medicamento. As doenças hepáticas também são tratadas com medicamentos, mas infelizmente existem poucos medicamentos específicos para as alterações do funcionamento hepático. Muito frequentes são as doenças hepáticas resultantes da utilização de medicamentos. A estas, damos o nome de hepatites tóxicas ou com maior abrangência hepatotoxicidade medicamentosa.










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