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Fibromialgia: Entrevista a Maria Elisa, “O meu corpo não reagia”

Cláudia Pinto

“A fibromialgia é uma doença que não vem à cara”. É assim que Maria Elisa define a doença que lhe foi diagnosticada em Janeiro de 2001. Actualmente, é membro da Direcção da Myos, Associação Nacional Contra a Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crónica. Foi convidada do IX Fórum de Apoio ao Doente Reumático organizado pela Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas. Por ocasião do evento, deu-nos o seu testemunho.

Fibromialgia: Entrevista a Maria Elisa, “O meu corpo não reagia”Há dias de enorme sacrifício e não vale a pena dizer o contrário”


Gostaria que me desse o seu testemunho relativamente ao aparecimento da fibromialgia

ME - Comecei a sentir os sintomas característicos da doença em Janeiro de 2001. Vinha de um período de trabalho muito intenso porque estava a fazer dois programas na RTP, que representavam uma grande exigência física e intelectual. Tinha alterações profundas ao nível do sono mas pensava que se deviam ao excesso de trabalho.

As semanas iam passando e eu comecei a achar estranho porque o meu corpo não reagia de forma positiva. Entretanto, tive direito a férias e aproveitei para fazer coisas em casa para as quais nunca tinha tempo. Foi aí que percebi que era completamente incapaz. Começava a fazer qualquer coisa e parava ao fim de minutos.

Deitava-me imediatamente e passava muito tempo no sofá. Comecei também a sentir dores muito agudas, sobretudo numa anca. Tinha também essas dores na coluna, mas como já tinha sido operada a uma hérnia discal e já tinha indicação operatória para outra, minimizei os sintomas.

Depois de várias hipóteses terem sido descartadas em Portugal, fui vista por um internista do Hospital Curry Cabral. Depois de ver a enorme quantidade de exames a que me tinha submetido, foi-me diagnosticada a doença.

Alguns meses depois comecei a fazer uma terapêutica que mantenho até hoje e que é composta por alguns medicamentos que atenuam as dores e que ajudam a conciliar o sono. A sua eficácia é bastante aceitável.



Considera que existe algum preconceito à volta da doença?

ME - A fibromialgia é uma doença que não vem à cara. O estigma existe, não só por parte dos médicos e das suas equipas, mas também na família e nos empregadores.

Em todo o caso, tem sido muito positiva a evolução da atitude dos médicos em Portugal. Hoje em dia, estão atentos à sintomatologia, ouvem e respeitam as queixas dos doentes. Alguns pacientes afirmam que os médicos desvalorizam as suas queixas porque “é uma doença que está na moda”.





Comentários dos utilizadores

em março de 2009 fiquei a saber que tinha fibromialgia, mas tudo começou em 2006 com uma hérnia.no trabalho sou incompriendida e pensam que eu me queixo sem ter dores, só porque quero.tenho dias que só me apetece estar na cama pois tenho muitas dores e pouco dormi na noite.estou a fazer lyrica e relaxante todos os dias

Força para todos aqueles que tem a mesma doença ou outra qualquer. tenham fé que todos voces vao conseguir ultrapassar esta crise. tenham calma..... estimo as melhoras FORÇA!



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