Médicos de Portugal

Medicamentos e condução: Viagens (in)seguras

Data: 2012-01-26



Uma tarefa complexa


A condução exige que se preste atenção a múltiplas situações em simultâneo, da sinalização aos outros veículos, do estado do tempo a eventuais obstáculos, sem contar com a possível presença de peões. Exige do condutor elevada concentração e capacidade de reacção, com presença de espírito e rapidez de reflexos de modo a dar respostas ajustadas e seguras às várias situações com que se depara, e assim evitar o acidente.


 


Sob o efeito dos medicamentos


Conduzir implica, pois, que as faculdades físicas e psíquicas do condutor estejam em perfeitas condições. O que pode não acontecer quando se tomam medicamentos: quer sejam, ou não, sujeitos a receita, quer se destinem ao tratamento de doenças prolongadas ou de situações de saúde pontuais e passageiras. O mesmo é válido para os produtos à base de plantas.


A relação entre os medicamentos que actuam sobre o sistema nervoso (na depressão, ansiedade ou para dormir) e a condução é bem conhecida: interferem na atenção e vigilância, no tempo de reacção, no desempenho motor ao nível muscular e dos reflexos e nas capacidades de previsão, avaliação e reacção.


Mas os medicamentos não sujeitos a receita médica, usados em automedicação, (para a dor, febre, constipação, gripe, alergias, pomadas e gotas para os olhos) também implicam riscos: podem afectar a visão, os reflexos e a concentração, comprometendo a coordenação e resposta motora.


Um risco denunciado por sintomas como:


- Sonolência


- Náuseas


- Vertigens, tonturas e sensação de fraqueza


- Tremores e movimentos involuntários


- Perturbações da visão


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A estes podem juntar-se outros sintomas do foro psicológico, como confusão, perda da noção de perigo, excesso de confiança, perturbações na capacidade de raciocínio, agressividade ou passividade. E o resultado pode ser um acidente!


O risco aumenta quando se conjugam outros factores, como:


- A idade - nos idosos a eliminação dos produtos é mais lenta, os medicamentos acumulam-se no organismo e mesmo pequenas doses podem ter um efeito mais prolongado do que o habitual.


- A polimedicação - a combinação de vários medicamentos aumenta o risco.


- O consumo de álcool - combinados com o álcool, os efeitos dos medicamentos sobre as capacidades de concentração e reacção multiplicam-se.


 


Conduzir em segurança


Porque não há medicamentos inócuos, o melhor é apostar na prevenção. O que, em matéria de condução, significa, antes de mais, fazer um uso seguro dos medicamentos:


- Informe-se sobre os efeitos secundários: pergunte na farmácia e leia o folheto informativo;


- Não altere por sua iniciativa a dose recomendada nem o intervalo entre tomas;


- Se tomar um medicamento pela primeira vez, conheça primeiro a reacção do seu organismo antes de conduzir;


- Se toma vários medicamentos em simultâneo, informe- se na farmácia sobre as possíveis interacções;


- Não tome medicamentos de outras pessoas: os sintomas podem ser os mesmos mas a causa não, além de que cada organismo reage de forma diferente à mesma substância;


- Esteja atento às reacções do seu organismo: ao menor sinal de alerta, interrompa a condução;


- Descanse o suficiente, a falta de sono pode agravar os efeitos secundários dos medicamentos.



Fonte: FARMÁCIA SAÚDE - ANF

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